sábado, 6 de dezembro de 2003

O PRAZER DE SER






O PRAZER DE SER




Vivemos a alvorada da demora, aonde os baques vão desprezando o lado vivo da afeição, como se dantesco não é porfiando a vinda dum assombro… na giesta doutra conceção, ou a evolução não destrinça mais a justeza do que é certo, se subsiste a visão do ser como ligação aqui tão perto… outrora tão escasso, actualmente um todo dos nossos andamentos em trechos recentes de episódios diferentes.

Sucedâneo do omisso, não concebo uma criatura de alma excluída na sua forma de sentir, nem como isso se torne possível no insignificante vazio que é a maneira de pensar da sociedade, ou se a honestidade e a nobreza em fraca arribação se encobrem da ignomínia e da desonra sem o estorvo da vergonha.

Já não sei que há-de pensar destes modos de agir, e vou fracionando estas partes noutras coisas que acontecem no dia-a-dia, com uma zoada desconhecida… talvez num momento da hora se entenda, porque o tempo é contabilizado ou porque o raio do céu se vê num segundo… demasiado óbvio ser tão simples e pertencer ao Universo indistinto.

Do lado que é de cá de fora, assisto como um misantropo o que passa ali e acolá… com um sentido enxuto de quem é indissociável e não se mistura nada com interiores de exposição a que a humanidade está sujeita, entre dióxido das plantas e oxigénios da vida.

Mas não possuo soluções ou fórmulas químicas, pois dou mais valor a umas do que outras, quando todas são hoje divergentes depois… e amanhã nos tempos desiguais, o que é verdade de manhã – à tarde pode ser diferente, consoante a inspiração e as sensações das ideias dispersas dos meus pensamentos passionais, e da beleza do acaso, que nunca dá a conhecer os caminhos que pisa.
… a influência me tira segundos do meu lugar, mas logo volto à minha anterior forma, porque não sei doutra feição que não possa ou não seja ser, quando eu sou também igualmente o tal propriamente sim… dando importância à vida como um detetive de palavras e reflexões que me fascinam.

Nunca me tinha sentido barbaramente excluído…
até ao nunca de hoje... vivo que não fosse.
É tão bom sentir o que sinto!
Como tantos outros... amo, algo penetrante e incisivo,
ainda que seja difusamente branco com asas de pano.

Quem inventou a escrita?
Era um Deus nu em desordem, apocalíptico da vida?
De certa maneira, pode dizer-se que era o Criador da harmonia, irreverente, de obras belas, mas muito desarrumado. E como todos os espíritos criadores, Deus não esconde a loucura da sua inteligência.

Assim que se cobriu com a capa do homem, sua alma descoberta, eram palavras do céu… tornou-se poeta.
Sim, Deus é poeta, e não o que inventam outros homens devotos.

E eu, simples mortal dessas cartas a quem me é permitido usar cobertura, deliro no êxtase desse poder sagrado, ainda que seja inventado duma outra qualquer criatura.
Nas minhas letras soltas, fáceis, e terrenas cheias de afecto, não quero que ninguém se magoe… antes, transformar as cores do universo em forma de flores.  Terra, mar, e animais com olhos e vozes de pessoas… onde possa imitar na sua inspiração com amor, o meu Deus poeta.

Retribuo o deleite que é escrever… e encontro o Deus que não conheço, nada idêntico ao incógnito costume usado, de aspecto vulgar, parecido com todos no acto de viver – desaparece…, mas volta a aparecer, quando preciso Dele.
Este sim, é um Deus a sério.
Ao contrário dos bajuladores, das suas prepotências e imposições de proveito próprio, não querem que o mundo saiba… que Deus também erra na sua perfeição, que usa o coração quando sente, e fraqueja, porque ama muito e dá tudo como um criador.


/ Excluído Deus... fica o poeta /

O prazer de ser - feliz e sonhador.